Coração de Kbytes

Qual é o vínculo que se tem com uma pessoa real em um ambiente virtual?
Não é o toque, a fala, os olhos nos olhos, a respiração, os tiques, o cheiro, o som de um risada as maiores expressões do que uma pessoa é por dentro. E se mesmo assim não poucas vezes somos enganados pelas máscaras que alguns carregam sob o sol, quem dirá nas redes sociais onde muitos assumem postura de seres heróicos que lutam e vencem o cotidiano e os dilemas da vida real da grande multidão; ou Deuses, que superam o limite da propria humanidade vivendo acima de qualquer emoção, normalidade ou simplesmente acima de uma emoção qualquer humana; e Bestas, que optam pelo lado oposto aos deuses, na sua solidão bem suportada, auto-suficiente, num mundo recluso dentro de outro mundo.

Eu não entendo o que são reais: elas como são sem um computador, ou elas enquanto conectadas. Porque parece que só eu tenho levado porrada (como diria Fernando Pessoa), não há gente no meu facebook… até ao ponto de eu não reconhecer quem é mais próximo de mim!
Não se socializam na rua como se socializam na internet. É raro receber um sorriso de volta ou ouvir um simples “bom dia – como você está?”, abraços viraram artigos de luxo a serem dados em dias especiais como aniversários, casamentos, e eventos sociais. Enquanto isso os cutuques não cessam, os estranhos adicionam, e o festival de figuras-bobagens desfilam initerruptamente pelas atualizações.
Os seres sentam de frente para a tela e numa hipnose auto imposta vivenciam um mundo de imaginação, cheio de pessoas reais que assumem ser o que não são, demonstram demasiado o que sentem, e sorri sob efeitos de photoshop.
Por que questionar?

Arre, quando vamos ser os mesmos estranhos que somos seja conectado ou seja off. Nessa cidade onde tanta gente é carente de amor passam pelos corredores checando as novidades no celular e pouco se olha para as pessoas que passam, para os sorrisos em doação, os potenciais abraços, e possíveis melhores amigos.
Sem dizer do embaraço de estar tão próximo fisicamente de alguém e o coração desse alguém tão hipnotizado pela web.

Salve a normalidade (e sua bizarrice)!

>> Gostaria de postar algo que definisse bem quem eu sou, não quero correr o risco de daqui a alguns posts eu virar um personagem, por que eu sou bem humano e do sentido mais pejorativo ao mais virtuoso. Questiono, divago, e gosto de amigos por perto. É que um carinho às vezes cai bem…

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Um pensamento sobre “Coração de Kbytes

  1. Pessoas temem pessoas; Pessoas ofendem pessoas; Pessoas machucam pessoas. Talvez o mundo virtual seja a única maneira de se estar perto de alguém sem estar à sua mercê, a única chance de abrir o coração sem medo de que o idiota que esta segurando o derrube no chão… Num mundo utópicamente globalizado o contato virtual é cada vez mais incentivado, mas eu reconheço como o mundinho limitado de uma cidade pequena que girava em torno de uma pracinha onde todos se conheciam e tinhas as suas historias em comum e ‘descomum’ era bem mais confortante e menos solitário. Era assim onde eu cresci, e em algum momento eu deixei de ser humana sem deixar de ser eu, mas imagino que não tenha acontecido somente comigo.

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