3 da tarde

 Na minha infância minha mãe dizia:

“- André, você só vai sair pra brincar depois das 3!”

3 horas se tornou uma hora sagrada. Não importava se ela me chamaria  de volta pra casa uma hora depois ou quatro. Para mim aquele “depois das 3” se tornaria especial, a modo que poderia abranger as próximas 24 horas que ainda seria depois das 3. Este blog quase se chamou depois das 3.

Meus amiguinhos sabiam disso e não me procuravam de manhã ou antes do horário estipulado. Não que isso me fizesse sofrer, por que na ansiedade de sair pra brincar eu experimentava o que de melhor a liberdade oferece: autoridade. É meio irônico ser livre sob regras, mas aprendi que era assim.
E fui muito feliz quando destrancavam o portão e eu saía no sol, eu saía no frio, saía correndo, saía de bicicleta, saía levando  gibis pra trocar, caçando caramujos, saía no prumo e sem rumo.

Hoje, não sei se por coincidência ou hábito, verifico no relógio constantemente que ainda são 14:05 . Adotei como meu número de sorte e as vezes jogo na loteria ele. Mas no fundo, me vem na cabeça aquela longa espera da infância. Ah! quem dera ela pudesse voltar.

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Um pensamento sobre “3 da tarde

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