O fato e a razão

Se não tivesse mostrado a minha cara, posto o meu nome e declarado meu endereço diria aqui, quem sabe, o que me arranca um grito de tesão. E depois falaria da dor e daria nomes a cada cicatriz, e te poupava o enfado de descobrir a minha vida.
E eu podia falar da angústia de viver, e declarasse abertamente que sou doido, e que nunca houve remédio, e que no fundo eu não me arrependo das loucuras que fiz.
Falaria do que faço das horas vagas, e como sou estúpido, e que não combino com a imagem do espelho.
Se você não soubesse que eu sou eu, eu poderia ser alguém melhor, e esse alguém poderia ser realmente eu. Portanto não seria eu agora tão pior.
Se você não me visse por fora, talvez tivesse coragem de mostrar o por dentro, e assim sem receio da aparência, pudesse dizer: me toca, me sente, me preenche, me usa e abastece sem pudor.

Mas…

Minha vida se resume a essas coisas, que não sei se fatos ou razões, de uma história mal contada.

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2 pensamentos sobre “O fato e a razão

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