Dos espaços vazios

Ausência por vezes não é vazia. É pesada como esta que sinto agora. Não me dói, não me entristece, não me arrebenta o coração, mas me enclausura num estado de inquietude por querer entender certas ausências.
É intrigante que eu sinta isso – alguma falta – porque nunca estive vazio, nem me senti demasiado só. Quebrei os muros da minha vida e plantei uma arvore. A quem quiser eu ofereço sombra, não há cercas, nem correntes, simplesmente vidas se achegam e se vão deixando-me nesse não-vazio de tranquilidade.
Mas por vezes uma vida parte dessa sombra cedo demais. Ora vidas se vão da minha vida, ora vidas voltam a seus caminhos. E seja como for nada alteraria o fato de que no final eu ficarei só. Nunca quis que se alterasse.
Minha vida em sua passagem foi o bastante, e é isso que pesa. É uma incerteza, uma invasão, uma angústia que oscila com a sina, o destino, o conforto de quem escolheu ser árvore.
É intrigante sentir um vazio, uma ausência, tão pesada assim.

De qualquer forma não construirei os muros agora.

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